terça-feira, 7 de julho de 2015

Presos da Zona da Mata separam 4 toneladas de lixo por dia

Detentos trabalham na Usina de Triagem e Compostagem (UTC) de São Geraldo, cidade de pouco mais de 10 mil habitantes
Divulgação
Presos trabalham na Usina de Triagem e Compostagem durante oito horas por dia
Presos trabalham na Usina de Triagem e Compostagem durante oito horas por dia
De segunda à sexta-feira, às 7h30, um ônibus da Prefeitura de São Geraldo, na Zona da Mata, estaciona em frente ao Presídio de Visconde do Rio Branco, município vizinho. O veículo transporta oito presos por 10 quilômetros até a Usina de Triagem e Compostagem (UTC) de São Geraldo, cidade de pouco mais de 10 mil habitantes. O local contribui para preservar o meio ambiente da cidade, reduzindo o volume de lixo no aterro sanitário. Para os presos, é uma oportunidade de obtenção de renda e de redução da pena a cumprir.
Em jornada de oito horas, os detentos separam por dia, de um volume de quatro toneladas de lixo urbano, plásticos, vidros e papéis para reciclagem industrial, material orgânico para a produção de adubo, sendo o restante depositado em valas do aterro sanitário. A usina é referência na região e brevemente ocupará mais dois presos.
Administrador da limpeza pública de São Geraldo há dez anos, Adílio Ferreira da Silva admite que ficou reticente quando a prefeitura decidiu realocar os dez funcionários da UTC para outras atividades e substituí-los por presos.“Quando soube da notícia achei que daria errado. Mas os detentos estão completando quatro semanas de trabalho e estou surpreso com o desempenho deles. Até o momento não tenho nenhuma queixa. Eles trabalham direito e são organizados”, diz Adílio.
O prefeito Marcílio Moreira Barros comemora o resultado da própria ousadia. “Diante da crise, precisamos buscar boas alternativas e essa é uma delas. Além de darmos a oportunidade de ressocialização para os presos, geramos economia para o município”, argumenta Barros. Segundo ele, os funcionários retirados da UTC agora trabalham na limpeza de escolas, do posto de saúde e das vias urbanas.
A vaga de trabalho dá ao preso uma renda mensal de três quartos do salário mínimo e desconto de um dia na pena a cumprir a cada três trabalhados. O Presídio de Visconde do Rio Branco tem várias frentes de trabalho, que ocupam 70 dos atuais 179 detentos.
O diretor do estabelecimento, Luis Carlos de Almeida, comemora. “Acredito que o trabalho dos presos é uma forma de ressarcimento ao Estado. Além disso, gera uma expectativa do preso em fazer parte de um projeto que dá certo. E não podemos esquecer a ressocialização, que é um fator importante nesse processo”, diz.
O Presídio de Visconde do Rio Branco tem mais duas parcerias de trabalho importantes. Em uma delas, também com a prefeitura, 30 presos trabalham na limpeza urbana. Outros 30 estão empregados em uma mineradora de feldspato, rocha utilizada na fabricação de louças, pisos e azulejos

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