terça-feira, 7 de julho de 2015

Estudo mostra que o Brasil continuará como um dos principais fornecedores internacionais de alimento 
 
 
Segundo as projeções do estudo sobre os impactos econômicos e socioambientais da biotecnologia na agricultura --- realizado pela Céleres e Céleres Ambiental para a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM), que chega à oitava edição em 2015 ---, a área adicional a ser semeada num cenário sem a adoção da biotecnologia, o montante financeiro necessário para essa necessidade chegaria a US$ 61,1 bilhões, ao longo dos próximos dez anos. Isso, considerando-se não só o custo de produção desses hectares, mas também o investimento adicional em máquinas e implementos, equipamentos e infraestrutura agrícola necessárias.
O uso mais consciente e correto de manejos agrícolas disponíveis, tais como a adoção de tecnologias geneticamente modificadas, contribui para a melhoria da competitividade do País frente aos principais concorrentes, como Estados Unidos e Argentina, e natural fortalecimento das condições necessárias para o atendimento das demandas globais por alimentos. De acordo com as premissas de crescimento econômico e demográfico para os próximos dez anos, estima-se que o Brasil poderá continuar como um dos principais fornecedores internacionais de alimento.
Desde a introdução da biotecnologia agrícola no Brasil (1996/1997), estima-se que os benefícios econômicos capturados pelos usuários desta tecnologia (produtores reais e indústria), chegam a US$ 29,3 bilhões referentes aos 18 anos de cultivo de lavouras geneticamente modificadas.
A cultura de milho (verão e inverno) responde por 49% do benefício econômico gerado e chega ao quarto ano na liderança no benefício capturado. Na sequência, aparece a cultura da soja, que detém 46% do total de benefício econômico alcançado, devido ao lançamento e cultivo da nova tecnologia geneticamente modificada com genes combinados. E, em terceiro lugar, a cultura do algodão, com 5% do benefício total, pois tem menor representatividade devido a menor área semeada, comparando-se à da soja e do milho.
Na divisão do benefício econômico capturado, o ganho de produtividade demonstra que é a principal vantagem da adoção de culturas transgênicas, com 48% do total, especialmente com a entrada da soja RI/TH, o que auxilia no aumento da importância do ganho, pelo maior rendimento por hectare de culturas, devido à resistência a insetos, agora presente nas três culturas analisadas. Na sequência, a redução do custo de produção contribui 29% do benefício total, seguida pela indústria (detentora da tecnologia GM), que capturou 23% do total gerado nos últimos 18 anos.
Os produtores rurais acumularam diretamente 77% do total de benefícios econômicos ou US$ 22,5 bilhões, no período considerado. A indústria, também parte importante no desenvolvimento tecnológico da biotecnologia, capturou o benefício remanescente de US$ 6,8 bilhões.
Os três benefícios citados acima não compreendem apenas a agricultura. Indiretamente, os benefícios acumulados estendem-se ao longo da cadeia de valor e, em última instância, o consumidor final do comércio varejista, seguindo o exemplo dos benefícios indiretos ao longo da cadeia. A constante pesquisa feita pela indústria no intuito de promover uma agricultura com manejos mais avançados e, que cada vez menos causem impacto ao meio socioambiental, também faz parte deste contexto.
O uso mais consciente e correto de manejos agrícolas disponíveis, tais como a adoção de tecnologias geneticamente modificadas, contribui para a melhoria da competitividade do País frente aos principais concorrentes, como Estados Unidos e Argentina, e natural fortalecimento das condições necessárias para o atendimento das demandas globais por alimentos.
Nesta perspectiva, a estimativa é de que produção de algodão brasileiro cresça 72,9%, passando de 1,4 bilhão de toneladas em 2014/15, para 2,5 bilhões de toneladas em 2023/24. É claro que a área de plantio deve aumentar para atender a demanda mundial, mesmo levando-se em conta o crescimento da produtividade brasileira do algodão com a adoção de tecnologias GM mais produtivas.
Assim, a área total brasileira cultivada de algodão deve passar de 0,9 milhão de hectares, em 2014/15, para 1,5 milhão de hectares na safra 2022/23, ou 61,9% de aumento. Nesse mesmo período, considera-se que a adoção do algodão GM passará de 0,6 milhão de hectares na safra 2014/15 para 1,2 milhão de hectares na safra 2023/24, ou uma penetração de 81,8% (CÉLERES, 2014).
No caso do milho, numa análise das duas safras (verão e inverno), a produção brasileira também crescerá ao longo dos próximos dez anos (atingirá 112,9 milhões de toneladas na safra 2023/24), como forma de atender à crescente demanda não só local, mas também global, e consequentemente, haverá maior necessidade de área. Contudo, o crescimento da produção do cereal estará fundamentado no aprimoramento das tecnologias, com maiores ganhos médios de produtividade, já vistos nos últimos anos, especialmente para as tecnologias geneticamente modificadas, que combinam diversos genes de resistência a insetos e tolerância a herbicidas, em um mesmo evento transgênico.
Desta forma, projeta-se que a área total de milho cultivada no Brasil, em 2023/24 será de 19,5 milhões de hectares, sendo a área efetiva com milho GM de aproximadamente 17,1 milhões de hectares, ou 88,0%.
Por fim, para a cultura da soja, estima-se que o Brasil continuará entre os maiores produtores mundiais da oleaginosa, senão o maior produtor. Em 2023/24, os sojicultores brasileiros produzirão 115,9 milhões de toneladas, um crescimento de 26,9% em relação a 2014/15. O aumento de produtividade, já proporcionado pela adoção de novas tecnologias, sobretudo geneticamente modificadas, será determinante para atingir tais níveis de produção, mesmo com um crescimento de área de 21,8% nos próximos dez anos.
Nas últimas safras, o Brasil vem sendo o protagonista no crescimento da adoção de biotecnologia no mundo. Para a próxima década, com todos os benefícios econômicos gerados com essa adoção, o País continuará em posição de destaque em relação ao desenvolvimento da tecnologia GM, sendo mais competitivo no mercado internacional, podendo garantir a maior oferta de alimentos e também biocombustível para a população mundial.
A área adicional a ser semeada num cenário sem a adoção da biotecnologia, o montante financeiro necessário para essa necessidade chegaria a US$ 61,1 bilhões, ao longo dos próximos dez anos, considerando-se não só o custo de produção desses hectares, mas também o investimento adicional em máquinas e implementos, equipamentos e infraestrutura agrícola necessárias.
Para cada R$ 1 investido na aquisição de sementes transgênicas, o retorno para a cultura do algodão foi de R$ 1,20, na média Brasil. Para o milho, já considerada a média ponderada entre a safra verão e inverno, o retorno chega a R$ 2,60 para cada R$ 1 investido. E na soja, o nível de retorno chega a R$ 1,10 para cada R$ 1 investido, na comparação da RI/TH com a convencional. Os dados são feitos com base no benchmark das tecnologias, ou seja, o que a assistência técnica preconiza para estados referência em cada cultura.
A análise do retorno decorrente do uso da tecnologia se mostra de suma importância, num momento de alta dos custos de produção e o recorrente temor de crises alimentares decorrentes de escassez de alimentos no mercado global, associados aos riscos relacionados ao quadro de oferta e à demanda de alimentos e suas implicações sobre a estabilidade econômica e política de diversos países consumidores de alimentos.
Assim, abrir mão de tecnologias avançadas, como a biotecnologia agrícola, é retrocesso, dado à aceleração dos ganhos de produtividade das culturas agrícolas e redução dos custos de produção proporcionados por essa tecnologia.
E nesse contexto de necessidade crescente de alimentos e fibras, destaca-se, como nas edições anteriores desse estudo, a importância do aprimoramento, implementação e contínuo acompanhamento das políticas públicas que garantam um ambiente institucional favorável ao desenvolvimento da biotecnologia no Brasil, como forma de contribuir para a manutenção da competitividade da produção agrícola nacional.
Deste modo, a biotecnologia agrícola tem o potencial de desempenhar papel importante, senão fundamental, nesse contexto, pois, como verificado anteriormente, seu principal benefício econômico está no ganho de produtividade, gerando benefícios diretos e indiretos do agricultor ao consumidor final do mercado varejista, além de dispensar a abertura de novas áreas, fato que ocasionaria na necessidade de maiores investimentos por parte dos produtores rurais, além de maiores impactos ambientais e de recursos naturais.

Daniela Mesquita

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