sábado, 16 de janeiro de 2016

Imunização contra a febre amarela é incentivada para viajantes e residentes nas áreas com recomendação de vacina

O incentivo à vacinação contra febre amarela está sendo reforçado pelo Ministério da Saúde e pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC) em razão da confirmação de novas mortes de macacos pela doença em dezembro do ano passado, o que evidencia um aumento na atividade do vírus amarílico, principalmente na região Centro-Oeste e em regiões limítrofes a Minas Gerais. Entre dezembro de 2014 e maio de 2015, foram confirmadas 17 mortes de macacos por febre amarela em Tocantins (6), Goiás (5), Pará (1), Distrito Federal (2) e Minas Gerais (3). Foram também registrados, no mesmo período, oito casos humanos da doença, com locais prováveis de infecção em Goiás (5), Pará (2) e Mato Grosso do Sul (1). Desses locais, quatro foram a óbito.
“Os macacos têm um papel muito importante no combate da doença. Por conviverem no mesmo ambiente do vetor silvestre, são os primeiros a adoecerem, sinalizando que o vírus amarílico encontra-se circulando na localidade”, explica a enfermeira Rosana Pereira, da Gerência de Zoonoses da Dive/SC.
Portanto, toda a morte de macacos deve ser notificada às autoridades de saúde municipais para que sejam tomadas as devidas providências de investigação e vacinação da população local. “Qualquer cidadão pode notificar um provável óbito de macaco. Basta entrar em contato com a Secretaria de Saúde do seu município”, ressalta Rosana. 
A importância da vacinação
Apesar de Santa Catarina não registrar casos de febre amarela em humanos desde 1966, a vacinação contra a doença é indicada para 100% da população dos 162 municípios catarinenses que integram a Área com Recomendação de Vacina contra Febre Amarela. Além da população residente nestes municípios, a vacinação é recomendada para todos os viajantes que se deslocarem para qualquer um dos 3.530 municípios brasileiros considerados área com recomendação de vacina. Essas cidades são localizadas em todos os estados das regiões Norte e Centro-Oeste; em Minas Gerais e no Maranhão; e em alguns municípios do Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Quem ainda não é vacinado e pretende viajar para essas áreas deve procurar um posto de vacinação pelo menos dez dias antes da viagem.
A imunização oferece total proteção contra a doença, que pode ter curta duração ou evoluir para formas graves e levar até mesmo à morte. A vacina é gratuita e está disponível nas salas de vacinação das unidades de saúde pública. “A vacina é aplicada em apenas duas doses no decorrer da vida. A segunda é aplicada dez anos após a primeira, em pessoas maiores de cinco anos de idade. Abaixo dessa faixa etária, a recomendação é a aplicação da primeira dose aos 9 meses de idade, com reforço aos 4 anos”, explica Luciana Amorim, chefe da Divisão de Imunização da Dive/SC.
Sobre a doença
A febre amarela é uma doença infecciosa viral aguda, transmitida por mosquitos, presente em países da África e das Américas Central e do Sul. A transmissão pode ocorrer de duas formas: silvestre e urbana. Mas se trata de uma só doença.
Na forma de transmissão silvestre, os vetores são os mosquitos Haemagogus e Sabethes, que mantêm a circulação do vírus entre os macacos, podendo, também, transmitir ao homem caso esteja nesse ambiente sem estar vacinado. Na forma de transmissão urbana, o veículo do vírus é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue, da febre do chikungunya e da zikaV.
No Brasil, desde 1942, não há registro de transmissão da febre amarela em ambientes urbanos. Ou seja, há mais de 70 anos não são identificados casos da doença no país provocado pela picada do mosquito Aedes aegypti.
A eliminação da forma de transmissão urbana foi possível pela existência de uma vacina eficaz e pelas campanhas nacionais para imunização, combinadas ao combate ao mosquito vetor.
“Como a transmissão silvestre da febre amarela não é erradicável, porque envolve primatas não humanos (macacos), a vacina continua sendo recomendada para moradores e visitantes de áreas onde foram notificados casos suspeitos da doença, principalmente pela elevada letalidade da doença”, enfatiza Rosana Pereira.
Os sintomas iniciais são febre alta de início súbito, sensação de mal estar, dor de cabeça, dor muscular, cansaço, calafrios, náuseas e vômitos. Quando a doença evolui para a forma grave, há aumento da febre, diarreia, reaparecimento dos vômitos, dor abdominal, icterícia (olhos amarelados, semelhante à hepatite), manifestações hemorrágicas (equimoses, sangramentos no nariz e gengivas) com comprometimento dos órgãos vitais como fígado e rins.
Se a pessoa se deslocou nos últimos 15 dias para áreas com recomendação de vacina para febre amarela, exerceu alguma atividade em área de mata (ecoturismo, pesca, desmatamentos, etc.) e apresentou alguns dos sintomas mencionados acima, deverá procurar o mais rápido possível as unidades de saúde municipais (postos de saúde e equipes de saúde da família). A investigação, o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento serão realizados pela rede pública de saúde.

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