quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Coral Lírico de Minas Gerais interpreta composições com temática religiosa e trechos operísticos na série Lírico Sacro


Programa destaca composições sacras nacionais e revela a relação entre as composições operísticas e a música sacra
Série Lírico Sacro – Coral Lírico de Minas Gerais
Data: 27 de agosto
Local: Catedral da Boa Viagem – Rua Sergipe, 175 Funcionários
Horário: 20h30
Entrada gratuita
Informações para o público: (31) 3236-7400


O Coral Lírico de Minas Gerais realiza mais uma edição da série Lírico Sacro. Serão interpretadas diversas composições da tradição religiosa judaico-cristã e, pela primeira vez, o público poderá ouvir a peça Ubi Caritas, de Maurice Duruflé. O programa conta também com obras de Bach, Mozart, Pablo Casals e coros de conhecidas óperas. O repertório será dedicado às composições sacras nacionais, com obras de Heitor Villa-Lobos e padre José Maurício Nunes Garcia.

Segundo o maestro Lincoln Andrade, a aposta em canções com temática religiosa para compor o repertório é uma forma de evidenciar a versatilidade que tem marcado os concertos que o Coral Lírico realiza ao longo do ano. “É importante realizar apresentações como esta, porque nós mostramos a enorme versatilidade do Coral Lírico e garantimos que as pessoas conheçam diferentes e belas canções sacras”, disse.

Uma das formas de ampliar e diversificar o repertório do CLMG é apostar em composições inéditas ou poucas vezes interpretadas. Caso de Ubi Caritas, do compositor francês Maurice Duruflé. Composta em 1960, a peça faz parte de uma série que Duruflé criou sobre temas gregorianos. “Neste trabalho, Duruflé mostra o seu talento particular ao reunir elementos espirituais da melodia gregoriana num contexto polifônico”, destaca Lincoln Andrade.

A ópera e a música sacra – Não só tragédias, traições e amores inspiraram os enredos de óperas. Algumas delas possuem árias que revelam um forte tom religioso e, por esse motivo, o maestro Lincoln Andrade também selecionou coros de famosas composições operísticas para integrar o repertório do Lírico Sacro. O programa conta com o Coro dos Prisioneiros, da ópera Fidelio, de Beethoven; o Coro dos Peregrinos, de Tannhäuser, composta por Wagner; e Intermezzo, de Cavalleria Rusticana, da obra de Mascagni.

O regente explica que os coros selecionados possuem um contexto sacro muito marcante e que demonstram a capacidade dos compositores em inserir temas religiosos em suas obras. “Há todo um contexto religioso, mas não obrigatoriamente uma música sacra”, destaca o maestro. Para ele, “o universo do compositor é compor para o maio número de gêneros possíveis”. Assim como eles escrevem sinfonias, também podem escrever concertos, óperas, músicas sacras”, aponta.

Brasilidades sacras – O concerto também abre espaço para composições sacras da música nacional, com destaque para os trabalhos de Heitor Villa-Lobos e padre José Maurício Nunes Garcia. De Villa-Lobos, o CLMG interpreta duas obras sacras, de diferentes períodos do compositor: Ave Maria, de 1918; e Pater Noster, de 1950. Já do padre José Maurício, a obra selecionada foi Judas Mercator. De acordo com o maestro Lincoln Andrade, estas duas obras sintetizam a qualidade das composições sacras brasileiras.

“O Villa-Lobos escreveu muitas músicas sacras, em diferentes graus de dificuldades e os trabalhos são sempre surpreendentes. Já o José Maurício é o nosso grande músico sacro, o nosso patrono. Ele está para a música sacra assim como Carlos Gomes está para a ópera”, finaliza.

Coral Lírico de Minas Gerais – Criado em 1979, o Coral Lírico de Minas Gerais, corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado, é um dos raros grupos corais que possui uma programação artística permanente e que interpreta um repertório diversificado, incluindo motetos, óperas, oratórios e concertos sinfônico-corais. As apresentações têm entrada gratuita ou preços populares. O Coral já atuou com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, entre outras. Dentro da política de difusão do canto lírico promovida pelo Governo de Minas, o Coral Lírico desenvolve diversos projetos que incluem Concertos no Parque, Lírico na Cidade, Concertos Didáticos e participação nas temporadas de óperas realizadas pela Fundação Clóvis Salgado. Já estiveram à frente do Coral os maestros Luiz Aguiar, Marcos Thadeu, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Angela Pinto Coelho, Eliane Fajioli, Silvio Viegas, Charles Roussin, Afrânio Lacerda e Márcio Miranda Pontes. Seu atual regente titular é o maestro Lincoln Andrade.

Lincoln Andrade – Possui doutorado em Regência pela University of Kansas, EUA, mestrado pela University of Wyoming, EUA, onde também foi professor assistente e ministrou aulas de canto coral e regência coral. Foi diretor musical do grupo vocal Invoquei o Vocal, maestro titular do Madrigal de Brasília, e do Coral Brasília. Recebeu prêmios nos Estados Unidos e na Europa. Foi professor e diretor da Escola de Música de Brasília. Regeu concertos na Alemanha, Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Hungria, Paraguai, Polônia, Portugal e Turquia. É constantemente convidado para dar palestras sobre regência e o canto coral em festivais no Brasil.

Sobre os compositores:
Heitor Villa-Lobos (1887-1959) – Foi maestro e compositor brasileiro, considerado o expoente máximo da música do modernismo no Brasil. Natural do Rio de Janeiro, Villa-Lobos começou sua vida profissional como instrumentista e, aos 19 anos de idade, compôs as primeiras obras. Compôs as nove Bachianas brasileiras para demonstrar a semelhança de modulações e contracantos do folclore musical brasileiro com a música de Bach. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo. Em 1923, viajou para a Europa e só voltou ao Brasil em 1929. Foi membro da Academia de Belas Artes em Nova Iorque e Comendador da Ordem de Mérito do Brasil. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Iorque, e o de fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Música.

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Compositor, cravista, cantor, maestro, e violista e violinista, Bach nasceu no Sacro Império Romano-Germânico, atual Alemanha. Tendo uma forte tradição musical em sua família, desde cedo demonstrou talento e iniciou seus estudos na música. Desempenhou diferentes cargos em cortes e igrejas alemãs e praticou quase todos os gêneros musicais de seu tempo, demonstrando maior habilidade no órgão e no cravo. Suas peças mais conhecidas são a Tocata e Fuga em Ré Menor, as Sonatas e Partitas para Violino solo e o Cravo Bem-Temperado.

José Maurício Nunes Garcia (1767-1830) – Padre e compositor de música sacra. Viveu no Brasil entre a transição da Colônia para o Império. Virtuoso do órgão e do cravo, foi mestre de capela da Sé. Em sua carreira, compôs cerca de 26 missas, sendo suas principais obras a Sinfonia fúnebre, O Coro para entremêses, a Missa de Réquiem e a Missa de Santa Cecília.

Ludwing van Beethoven (1770-1827) – Compositor alemão, nascido, provavelmente, em 1770. Sua música é típica do período de transição entre as épocas Clássica e Romântica. Aos 11 anos, tornou-se músico profissional e, com 12 anos, substituiu seu mestre na orquestra da ópera. Atormentado pela surdez e por problemas emocionais, Beethoven foi considerado um poeta-músico, o primeiro romântico apaixonado pelo lirismo dramático e pela liberdade de expressão. Foi sempre condicionado pelo equilíbrio, pelo amor à natureza e pelos grandes ideais humanitários. Faleceu na Áustria, em 1827.

Maurice Duruflé (1902-1986) – Compositor e organista francês, Duruflé nasceu em Louviers e tornou-se corista no Coral da Cadetral de Rouen em 1912, onde também estudou piano e órgão. Em 1929, tornou-se organista titular do St. Étienne-du Mont em Paris, cargo que ocupou até o fim de sua vida. Sua peça mais famosa é o Requiem op. 9, para solistas, coral, órgão e orquestra.

Pablo Casals (1876-1973) – Virtuoso violoncelista e maestro catalão, percorreu a Europa e os Estados Unidos promovendo concertos e recitais. Apesar de ter realizado diversas grandes obras com orquestras e música de câmara, seus trabalhos mais notáveis foram as gravações das Suítes para Violoncelo de Bach.

Pietro Mascagni (1863-1945) – Compositor italiano, Mascagni foi um expoente do período musical na ópera, conhecido como verismo. Ao longo de sua carreira compôs dezessete óperas. Sua ópera mais conhecida é a Cavalleria Rusticana.

Richard Wagner (1813-1883) – Maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão, ficou conhecido por suas óperas notáveis pelas harmonias ricas e complexas. Pioneiro em avanços da linguagem musical, como a rápida mudança de centros tonais, influenciou o desenvolvimento da música erudita européia. Sua influência também atinge outros campos artísticos, como as artes visuais, a literatura e o teatro.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Nasceu em, Salzburgo na Áustria. Morreu no dia 05 de dezembro de 1791, com apenas 35 anos. Foi um compositor influente do período clássico, tendo composto mais de 600 obras publicadas, tidas como referências da música sinfônica, concertos, óperas, para piano e de câmara.



Programa:

Johann Sebastian Bach
Jesus bleibet meine Freude
Wolfgang Amadeus Mozart
Ave, verum corpus
Maurice Duruflé
Ubi Caritas
Pablo Casals
O vos Omnes
L. van Beethoven, da ópera Fidelio
O welche Lust
Richard Wagner, da opera Tannhäuser
Beglücktdarf nun dich
Pietro Mascagni, da ópera Cavalleria Rusticana
Intermezzo
Pe. José Maurício Nunes Garcia
Judas Mercator
Heitor Villa Lobos
Ave Maria
Heitor Villa Lobos
Pater Noster
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