quarta-feira, 1 de julho de 2015

Cotação do trigo avança 12% em apenas 3 sessões



As cotações do trigo nos principais mercados futuros mundiais voltaram a fechar em forte alta diante das preocupações com o clima no Meio Oeste dos Estados Unidos. O contrato de Julho avançou cerca de 12% nas últimas três sessões, apenas, segundo a Consultoria Trigo & Farinhas.
As preocupações estão concentradas na safra de trigo soft, negociada em Chicago, cujas cotações superaram (pela primeira vez em muitos anos) as de Kansas para os meses de julho e setembro, com desapontamento evidente em relação ao ritmo da colheita, que está apenas em 38%, contra a média de 46% dos últimos 5 anos.
O atraso na colheita significa que a safra está mais vulnerável às muitas doenças que podem ocorrer com o excesso de chuva, podendo causar um colapso na qualidade da safra, segundo Luiz Carlos Pacheco, analista sênior da consultoria.
O trigo soft de Chicago (US$ 5,80/bushel) está sendo negociado acima da cotação do trigo hard de Kansas (US$ 5,71/bushel), porque o primeiro está correndo sérios riscos de qualidade e quantidade e o segundo está melhorando a sua qualidade à medida que está sendo colhido. Ambos são trigos de inverno e estão sendo colhidos neste momento.
A volatilidade das cotações desta segunda-feira também foi causada pela expectativa sobre o relatório sobre a área plantada e os estoques finais nos Estados Unidos, que será divulgado pelo USDA nesta terça-feira. Uma enquete entre os analistas acredita que os estoques ficarão ao redor de 26,38 milhões de toneladas, contra 30,58 MT estimados em março passado.
O Mercado, porém, não espera que estes números sejam positivos para os preços, segundo Pacheco. A alta está mais nas coberturas de posições vendidas pelos Fundos, depois do aumento estas posições de acordo com o relatório da CFTC com base nos dados da última quinta-feira, oque implica que foram pegos de surpresa pela alta da semana passada. Os enormes volumes negociados na última sexta e nesta segunda confirmam bem isto. Depois da sessão desta segunda, é possível que os Fundos tenham se livrado das suas posições vendidas em trigo e em milho.
Por outro lado as chuvas não param. Não há sequer previsão para o fim das precipitações a curto prazo. Os serviços de meteorologia afirmam que as chuvas (e seus estragos como o atraso na colheita e a possiblidade de doenças) deverão demorar pelo menos mais duas semanas.
Por outro lado, há seca na Europa e nos países do Mar Negro. Os serviços de meteorologia locais afirmam que o clima quente e seco deverá continuar durante toda esta semana, com recordes de calor sobre a França (maior produtora do Continente) e a Espanha, mostra a Consultoria Trigo & Farinhas.
O calor também deverá atingir a Alemanha, segunda maior produtora de trigo da Europa, acelerando a seca dos solos no final de semana, aumentando significativamente o estresse das plantas, segundo Agritel.
Os efeitos das ondas de calor sobre as plantas serão diferentes segundo o estágio de maturação de cada campo, reserva de umidade e qualidade do solo e deverão ser conhecidos com o início da colheita em algumas regiões da França. Na Ucrânia, as recentes chuvas não foram suficientes para eliminar as preocupações com a seca.

Verônica Pacheco

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