sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Tombini rejeita utilizar reservas internacionais para cobrir deficit do orçamento

Presidente do Banco Central disse que os custos serão maiores caso não se consiga atingir as metas fixadas para o superavit primário
Beto Nociti/ Divulgação BC
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participa de reunião na Comissão de Finanças e Tributação, a pedido do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS).
Tombini: esses recursos têm sido colocados pelas agências de avaliação de risco como um dos pontos fortes da economia brasileira, com a redução da vulnerabilidade externa.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, declarou nesta quinta-feira (29) a parlamentares que rejeita qualquer possibilidade de utilização das reservas internacionais para cobrir o déficit no orçamento.
Tombini recebeu um grupo de parlamentares da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. A reunião de trabalho, que durou mais de duas horas, foi solicitada pelo deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), que solicitou informações sobre a política cambial praticada pela instituição e o seu impacto na economia brasileira.
Segundo Tombini, esses recursos têm sido colocados pelas agências de avaliação de risco como um dos pontos fortes da economia brasileira, com a redução da vulnerabilidade externa. “Nós aqui no Banco Central, certamente não apoiamos essas iniciativas de fazer encontros de passivos e ativos. Porque hoje é um colchão, é um seguro para a economia brasileira e tem funcionado bem. Com todas as incertezas em relação à nossa economia, nós temos uma tranquilidade do financiamento externo”, ponderou o presidente do BC.
Ajuste fiscal
Tombini fez um apelo aos parlamentares no sentido de haver uma convergência política no ajuste fiscal. Sem um consenso, o dirigente prevê custos mais elevados no papel da instituição em manter a estabilidade da economia. “Se o ajuste na parte fiscal não convergir em curto prazo, os custos serão maiores. Do ponto de vista do papel do Banco Central nisso, é promover a estabilidade monetária e financeira nessa trajetória. Se conseguirmos uma convergência política maior para passar algo no sentido do que foi anunciado anteriormente, um superávit de 0,7% em 2016 e nos próximos anos, isso certamente vai ajudar a reestabilizar a expectativa”, destacou.
Quanto ao apelo pela convergência no ajuste fiscal, Goergen entende que isso esbarra na falta de articulação política do próprio governo federal e também da proposta em si. “Esse ajuste fiscal é uma ilusão. O que veio para o Congresso é aumento de imposto e de custos”, criticou.
Mercado interno x mercado externo
O deputado Jerônimo Goergen destacou que o Banco Central cumpre bem seu papel de guardião da imagem do Brasil lá fora, perante o mercado internacional.
Na avaliação do deputado, no entanto, essa mesma imagem não se reflete mais dentro do País. “Aqui dentro, o mercado já não acredita mais no governo e, portanto, o Banco Central teme utilizar essas reservas e ser mal interpretado pelos agentes do mercado”.
Jerônimo saiu preocupado com relação a uma falta de perspectivas de redução da taxa Selic no curto e médio prazo.
Agronegócio
Tombini reconheceu o papel do agronegócio nesse momento delicado em que se encontra a economia brasileira.
Por outro lado, o presidente do BC ouviu de Jerônimo que, apesar dos bons preços das commodities, os custos de produção são muito elevados. “Aproveitei a oportunidade para pedir que nos trouxessem informações sobre o futuro do PSI e do Moderfrota, que são dois programas de incentivo à indústria de equipamentos e máquinas agrícolas, que neste momento está sem recursos do BNDES”, acrescentou. Segundo o parlamentar, sem a perspectiva desses recursos, a indústria corre o risco de entrar em colapso.
O deputado Mauro Pereira (PMDB-RS) ainda pediu ao presidente do Banco Central que atue junto aos bancos privados para que seja cumprido o parcelamento das dívidas dos caminhoneiros, aprovado no Congresso.
De acordo com o parlamentar, somente o Banco do Brasil está repassando esse benefício de 12 meses de carência para os caminhoneiros. “Os bancos privados — Itaú, Bradesco e outros — não estão respeitando a lei que foi aprovada aqui sobre recursos do BNDES”.
Da Redação – RCA

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