sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Dilma Bolada não tem financiamento do PT, afirma publicitário

Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados
Audiência pública com o criador do perfil Dilma Bolada, Jeferson Monteiro
Jeferson Monteiro disse que críticas a Dilma não tiveram relação com fim de contrato entre o PT e agência de comunicação
O publicitário Jeferson Monteiro, criador do perfil Dilma Bolada na internet, negou nesta quinta-feira (29), na Câmara dos Deputados, que preste serviço ao Partido dos Trabalhadores (PT) e afirmou que atua de maneira independente: “Eu escrevo o que eu quero na hora em que eu quero no perfil. Não faz sentido dizer que recebo pelo PT, se já passei um mês sem atualizar o perfil”. Monteiro depôs na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Crimes Cibernéticos.
Ele confirmou que a sua empresa, Moj Comunicação, possui um contrato de R$ 20 mil com a agência Pepper para fazer trabalhos de monitoramento de redes e estratégia para os clientes da empresa. Questionado pelo deputado Sandro Alex (PPS-PR) se a matéria publicada pela revista Época informando que o PT pagava a Moj Comunicação por meio da agência Pepper era verídica, Monteiro negou.
De acordo com Monteiro, o contrato com a Pepper é confidencial e, portanto, detalhes não podem ser revelados, mas ele se propôs a entregar à CPI os dados sobre a movimentação financeira da sua empresa. E informou o que seu contrato com a Pepper vai até março de 2016.
Críticas a Dilma
O publicitário também negou que haja relação entre o fim do contrato entre a Pepper e o PT e as suas recentes críticas à presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, houve apenas uma manifestação de frustração com os rumos do governo.
“O que eu disse foi algo pessoal, e nada teve a ver com o trabalho [da agência Pepper]; e fiz o monitoramento que sempre faço. O que expus foi em relação ao governo ter tomado atitudes com as quais eu me surpreendi, como a demissão do ministro Renato Janine Ribeiro, que poderia iniciar uma reforma da educação de base. Eu não poderia continuar apoiando da forma como fazia, mas defendo o mandato dela”.
Operação Acrônimo
O deputado Alexandre Leite (DEM-SP), autor do convite a Jeferson Monteiro, questionou se ele tem relação com as investigações da Operação Acrônimo, que apura supostas irregularidades na campanha do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).
Monteiro negou que tenha sido processado e afirmou que toda a documentação de seu contrato com a agência Pepper, que prestou serviço ao PT, está no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e não há qualquer irregularidade. O publicitário disse que o assunto é parte do reconhecimento pelo perfil Dilma Bolada, que lhe garantiu o contrato com a Pepper.
O deputado Fábio Sousa (PSDB-GO) criticou as postagens feitas pelo Dilma Bolada contra a jornalista Raquel Sheherazade e a ex-senadora Marina Silva.
Monteiro reconheceu que perdeu a cabeça ao fazer acusações ao senador Aécio Neves (MG), depois de ser acusado de receber dinheiro do mensalão por um perfil fake da campanha do PSDB.
“Com 18, 19 anos, eu tinha uma cabeça equivocada, formada pela mídia, como achar engraçado chamar mulher de vagabunda. Era assim que eu pensava. É isso que é tradicionalmente ensinado pela mídia”, alegou. Ele afirmou que passou do limite ao ofender a jornalista do SBT e que, atualmente, não responde a provocações. “Eu já falei de todo o mundo, inclusive do Lula”, explicou.
Colaboração
O deputado Leo de Brito (PT-AC) reforçou que o publicitário Jeferson Monteiro foi à CPI para colaborar e disse que o perfil Dilma Bolada não é fake, nem faz apologia à violência. “Tem os seus excessos, mas não vamos transformar isso no fim do mundo. Não adianta discutir um possível financiamento do blog se não há prática criminosa. Não faz sentido criminalizar um perfil de humor”, criticou Brito.
A presidente da CPI, deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO), informou que o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) pediu desligamento da comissão por motivos pessoais. Segundo ela, Jean Wyllys produziu vídeo criticando a condução dos trabalhos da CPI e acusando os seus integrantes de serem do “baixo clero”.
A deputada ressaltou que não existe baixo ou alto clero na Câmara: “Se fomos eleitos, todos aqui somos iguais. Sempre estive disposta a propor uma agenda do País e não de grupos partidários”.
Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – João Pitella Junior

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