sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Ex-presidente da Funcef nega prejuízos durante a gestão dele

Guilherme Lacerda, que dirigiu a instituição entre 2003 e 2010, prestou depoimento nesta quinta à CPI dos Fundos de Pensão. Deputados da base e da oposição trocaram acusações sobre qual governo, se do PT ou do PSDB, seria responsável pelo deficit de mais de R$ 5 bilhões do fundo dos funcionários da Caixa nos últimos anos
Em depoimento à CPI dos Fundos de Pensão nesta quinta-feira (29), o ex-presidente da Fundação dos Economiários Federais (Funcef), o fundo dos funcionários da Caixa, Guilherme Lacerda negou que tenha havido prejuízos durante sua gestão (2003-2010), apesar das dificuldades enfrentadas. Ele ressaltou ter assumido uma instituição em situação complexa, que respondia a 26 processos no Ministério Público, na Polícia Federal, na Comissão de Valores Mobiliários e no Sistema de Proteção ao Crédito (atual Previc).
"Existiam ainda vários investimentos com riscos elevados, como em ferrovias paulistas e em telefonia. Havia uma imagem institucional negativa, desgastada, com baixíssima governança", declarou Lacerda.
Rafael Lacerda/Câmara dos Deputados
Audiência Pública. Guilherme Narciso de Lacerda, Ex Presidente da Fundação dos Economiários Federais
Guilherme Lacerda afirmou que, assim que assumiu o cargo, realizou auditorias nas contas da Funcef
Ele contou que, ao assumir o cargo, providenciou um diagnóstico da situação. Foram feitas, de acordo com Lacerda, visitas aos órgãos fiscalizadores e houve a instalação de grupo técnico para fornecimento de informações. As medidas saneadoras incluíram a conclusão de um acordo judicial com a Caixa, que resultou no recebimento de R$ 2,7 bilhões pela Funcef.
Patrimônio
Entre os marcos de sua gestão, Guilherme Lacerda destacou o aumento no patrimônio da Funcef, que passou de R$ 9,7 bilhões em 2002 para R$ 44 bilhões em 2010.
Outro destaque, segundo o ex-presidente, foi o aumento real das aposentadorias: 30% de reajuste real e 27,61% de reajuste pelo INPC, totalizando 65,89%.
O benefício médio, que era de R$ 1.501 em 2003, passou para R$ 2.878 em 2010. "Considero ainda baixo para aquela época, mas conseguimos fazer uma recuperação", observou.
Deficit
Apesar dos argumentos de Lacerda, o deputado Marcus Vicente (PP-ES), um dos autores do requerimento da audiência, apontou um deficit de R$ 2,4 bilhões na Funcef em 2008. A isso, o ex-presidente respondeu que “2008 foi um ano atípico nos últimos 150 anos”, em referência à crise internacional.
“Realmente houve um deficit em 2008: na Funcef e em todos. Agora, o que interessa é o conjunto. Por isso, conseguimos fazer distribuição de recursos, inclusive melhorando aposentadorias”, rebateu Lacerda.
Embates
A reunião foi marcada por embates entre parlamentares da oposição e governistas acerca da responsabilidade do governo quer teria levado a Funcef a um deficit de mais de R$ 5 bilhões nos últimos anos – se o do PSDB ou se o do PT.
Os oposicionistas afirmaram que a gestão de Lacerda não pode ter sido tão boa como o ex-presidente afirmou. O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), mais uma vez, chamou atenção para a aplicação de recursos da Funcef na Sete Brasil, que gerou prejuízo. “Ele [Lacerda] esteve lá por oito anos e deixou esse legado que aí está”, ironizou o líder. A Sete Brasil é uma empresa de investimento criada com o aval da Petrobras para explorar negócios do pré-sal e que foi alvo de investigação da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.
Os parlamentares da oposição também criticaram o fato de Lacerda ser filiado ao PT. A deputada Erika Kokay (PT-DF) saiu em defesa do ex-presidente, dizendo que não se pode classificar sua gestão de desastrosa por ele pertencer ao partido.
“Tantos negócios foram estabelecidos na Funcef no governo Fernando Henrique Cardoso e isso parece que foi esquecido. Aí se vem falar da gestão de Guilherme Lacerda. A primeira coisa feita por ele foi estabelecer auditorias, passar a Funcef a limpo”, argumentou ela.
Para Kokay, o responsável pelo prejuízo da Funcef é o governo que “forçou os fundos de pensão a participar dos processos de privatização”, afirmou, em referência ao PSDB.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Marcelo Oliveira

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