quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Jobim teme que cortes orçamentários ponham fronteiras em risco

Da Redação
Em meio às restrições orçamentárias pelas quais passa o país, projetos estratégicos das Forças Armadas, como o Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras (Sisfron), estão ameaçados. Em audiência nesta quinta-feira (8) na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (CRE), o ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse não ter certeza se a pasta é uma prioridade para a presidente Dilma Rousseff:
— No governo Lula, eu tinha clareza que a questão de Defesa estava dentro da perspectiva governamental. Clareza eu não tenho já em relação ao governo da presidente Dilma que isso seja um tema fundamental – disse Jobim.
Mesmo com cortes de mais de R$ 5 bilhões no orçamento da pasta, o ex-ministro acredita ser possível manter as prioridades do setor. Ele reconheceu que está “afastado do tema” desde que deixou o Ministério da Defesa em 2011, no começo do governo Dilma. Ele assumiu o cargo em 2007, ainda na gestão Lula.
— A situação orçamentária naquela época era muito melhor do que é hoje. A questão é compatibilizar a manutenção do projeto e distensioná-lo, considerando a situação orçamentária, mas não abandoná-lo – avaliou.
Uma das preocupações manifestados por Jobim e também pelos senadores durante a reunião é com o atraso na implantação do Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras (Sisfron). O programa, que visa coibir especialmente o tráfico de drogas e armas, começou a ser instalado em 2013, com prazo de conclusão de 10 anos, mas sofre com os baixos repasses do governo.
— O problema da violência nasce nas fronteiras. Se não tivermos uma política competente, nós não vamos nunca resolver o problema das drogas e da violência nas grandes cidades - disse o senador Delcídio do Amaral (PT-MS).
A preocupação com a proteção das fronteiras também foi manifestada por outros senadores como Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Jorge Viana (PT-AC), José Pimentel (PT-CE) e Sérgio Petecão (PSD-AC). Sobre o tema, Jobim disse:
— Não há como ter ocupação do solo de 17.719 quilômetros. É impossível. Daí a necessidade do monitoramento, daí o Sisfron. Teria uma fórmula de monitoramento dos acessos de fronteira não só a entrada pelo ar, a entrada pelos rios, como a entrada pelo solo. Assim, teria como avisar às autoridades relativas à atividade de terra de fazer obstrução daquilo. Agora, tem que ter investimento – afirmou.
Agência Senado

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