sábado, 27 de junho de 2015

Reunião discute segregação do trigo gaúcho 
 
 
A mobilização da Câmara Setorial do Trigo no Rio Grande do Sul levou 12 entidades à Embrapa Trigo com objetivo de estabelecer o agrupamento das cultivares plantadas no estado, conforme indicadores de qualidade, para viabilizar a segregação do trigo.
De acordo com o coordenador técnico da Câmara Setorial do Trigo no RS, Altair Hommerding, há alguns anos existe uma movimentação no Estado, reunindo diversos elos da cadeia produtiva, para elevar a qualidade do trigo gaúcho. A demanda por critérios de segregação foi levantada aqui em Passo Fundo, durante reunião no Sindicato Rural, no dia 06/05.
A pesquisadora da Embrapa Trigo Eliana Guarienti fez um histórico das principais ações da pesquisa para aumentar a qualidade do trigo gaúcho: “na década de 90, a cultivar de trigo mais plantada, o BR 23, mostrava força de glúten (W) médio de 100; em 1992, duas novas cultivares, Fundacep 24 e Embrapa 16, mostravam força de glúten em 160, uma enorme conquista que, para os padrões da época, classificavam este trigo como pão. Depois, levamos mais 20 anos para o W chegar a 220, atendendo as novas exigências do mercado”. Segundo Eliana, duas décadas é um tempo curto para o melhoramento de trigo, já que a pesquisa leva cerca de 12 anos para desenvolver uma cultivar.
Por que a qualidade declarada pelo obtentor (que desenvolveu a cultivar) nem sempre é confirmada pelo produtor?
Levantamento realizado pela Embrapa Trigo apontou três fatores que podem afetar a classificação comercial da cultivar:
1) Componente genético: a maioria das cultivares lançadas no mercado não apresenta consistência de resultados de qualidade nos diferentes locais para onde é indicado o cultivo. Assim são grandes as variações de rendimento e qualidade que nem sempre estão refletidas na fase de experimentação dos materiais ou pré-lançamento, gerando equívocos na classificação comercial.
2) Ambiente: a variação ambiental é a principal responsável pelos resultados das lavouras de trigo, especialmente o clima, que tanto pode favorecer como prejudicar a cultura. Além disso, o uso de tecnologia demandado por determinado ambiente também pode alterar a qualidade.
3) Pós-colheita: a mistura de cultivares nos silos, com grande variação nas características de qualidade como número de queda, dureza do grão, cor de farinha, força de glúten, etc. acaba comprometendo todo o lote devido à perda de identidade. O processo é resultado tanto da falta de análise mais criteriosa do perfil de qualidade dos grãos na pós-colheita, quanto da falta de estrutura de armazenagem adequada.
Resultados
O grupo de trabalho liderado pela Câmara Setorial definiu alguns parâmetros para enquadrar as cultivares existentes no mercado a partir de indicativos apontados pela indústria. Após esse agrupamento, o trabalho será apresentado a cerealistas e cooperativas como sugestão para segregação do trigo.
Participaram da reunião representantes do Sindicato Rural de Passo Fundo, Secretaria de Agricultura e Pecuária do RS, Associação das Empresas Cerealistas do RS, Emater/RS, Bayer, Coodetec, Limagrain, Farsul, Sinditrigo, Biotrigo, OR Sementes e Embrapa Trigo.
Foto: Joseani M. Antunes

Joseani M. Antunes

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