BASF, FEE e Cooxupé finalizam estudo de mensuração da
sustentabilidade na cadeia produtiva do café
A BASF e a Fundação Espaço ECO (FEE) apresentaram
hoje na sede da Cooxupé, em Guaxupé, no Sul Mineiro, os resultados
obtidos com AgBalanceTM – metodologia científica utilizada para medir e
avaliar a socioecoeficiência na agricultura - na sustentabilidade da
cadeia produtiva do café.
O
estudo, desenvolvido pela multinacional alemã e aplicado pela Fundação
Espaço ECO, contemplou diferentes regiões de atuação da cooperativa e
três arranjos produtivos: Não Mecanizado, Mecanizado e Mecanizado
Irrigado, e teve como objetivo avaliar os impactos ambientais,
econômicos e sociais da produção de café na área em que a cooperativa
atua, bem como comparar a evolução da sustentabilidade do processo
industrial de beneficiamento ao longo de quatro anos (2008, 2010, 2012 e
2013).
A metodologia
Para
cada uma das regiões avaliadas foram coletados dados de produção das
propriedades de acordo com suas dimensões: pequena (três a 20 ha), média
(21 a 50 ha) e grande (mais de 50 ha).
O
estudo, com base na análise de ciclo de vida, foi dividido em duas
fases: agrícola e industrial. Na primeira, foi analisado o processo de
produção de uma saca de café de 60 kg, desde a extração dos diversos
recursos naturais (utilizados na produção dos insumos agrícolas
aplicados no campo), passando pelas práticas agrícolas, até a colheita
do café nas fazendas, durante a safra 2012/13. Já na segunda fase, foram
analisados o transporte do café das fazendas até as unidades
industriais da Cooxupé, o processamento do produto, e o transporte do
café (para exportação) até o porto de Santos.
Principais resultados
Um
dos principais apontamentos do estudo no quesito ambiental revela que
90% da contribuição nos impactos decorrem da fase agrícola, quando
considerado todo o escopo do estudo. Os resultados indicam que há uma
relação direta entre o aumento de produtividade das lavouras de café e a
melhoria de desempenho em termos de sustentabilidade (conceito de
produzir mais café por hectare com menos uso de recursos/insumos por
saca).
Com
base nos dados coletados nas fazendas foi possível criar uma base de
informações para continuar melhorando a produtividade e a qualidade das
lavouras nos próximos anos, otimizando o consumo de insumos materiais,
por exemplo fertilizantes, defensivos, calcário e água, e energéticos -
diesel e eletricidade.
Ao
comparar os três arranjos produtivos ficaram evidentes algumas
diferenças, como um maior consumo de água na cultura irrigada. Na
produção baseada no regime de chuvas são consumidos menos de 200 litros
por saca, enquanto na irrigada são mais de 600 litros. Dessa forma, uma
das recomendações do estudo, por exemplo, é a utilização da irrigação
por gotejamento e a coleta de água de chuva, que podem contribuir para a
melhoria de desempenho.
Complexo Industrial do Japy
O
grande destaque que AgBalance apontou na fase industrial foram os
avanços oriundos das instalações do Complexo de Armazenagem e Indústria
de Café Japy, localizado no município de Guaxupé. Desde 2011 as
instalações do complexo estão equipadas para receber cafés a granel a
serem empilhados em bags, o que tem colaborado para a ampliação da
capacidade de armazenagem e melhorias na logística.
Com
AgBalance ficou evidente uma tendência na redução de impactos por saca
processada, o que corrobora com as ações de melhorias adotadas nos
últimos anos, incluindo a otimização do material de embalagem para o
transporte do café (uso dos big bags e não mais a juta).
Para
que se tenha uma ideia do resultado, ao se considerar o total de café
preparado em 2013 as melhorias realizadas na indústria trouxeram uma
economia de energia equivalente ao consumo anual de 34.500 domicílios.
Em termos de emissões evitadas de CO2, essa redução foi equivalente a
1.850 caminhões de 14t indo e voltando de Guaxupé até o Porto de Santos.
Segundo
o presidente da Cooxupé, Carlos Alberto Paulino da Costa, o
levantamento será fundamental para a tomada de decisões na Cooperativa:
“com o estudo em mãos, alguns indícios sobre nossos processos foram
evidenciados. A partir de agora deveremos colocar em prática outras
ações que colaborem para que nossa produção seja ainda mais
sustentável”.
Já o
diretor-presidente da FEE, Roberto Araújo, afirma que uma das principais
vantagens de AgBalance é a possibilidade de benchmarking de
sustentabilidade entre os cooperados da Cooxupé nas próximas safras:
“Práticas agrícolas mais sustentáveis podem ser medidas e avaliadas nas
propriedades mais produtivas e rentáveis de cada região e depois
compartilhadas com outros cooperados, possibilitando criar mecanismos
para acelerar a adoção de melhores práticas de sustentabilidade já
realizadas dentro da própria Cooperativa, contribuindo para a evolução
da Cooxupé como um todo” destaca Araújo.
A ferramenta
O
AgBalance é uma ferramenta desenvolvida pela área de sustentabilidade
da BASF na Alemanha para avaliar a sustentabilidade ao longo do ciclo de
vida de produtos agrícolas. Por se tratar de uma ferramenta de gestão
da sustentabilidade, leva em consideração os aspectos ambientais,
sociais e econômicos, desde a extração das matérias-primas, passando
pelas etapas de manufatura e uso dos produtos finais, culminando com os
diferentes destinos pós-uso do produto avaliado.
O
objetivo da BASF com a ferramenta é auxiliar seus diversos públicos,
incluindo clientes e representantes de todos os elos das cadeias
produtivas do setor agro, a identificarem os pontos de melhoria e as
potencialidades em processos de produção. “Com AgBalance podemos medir o
progresso da produção agrícola de forma detalhada e precisa. Dessa
forma contribuimos para que a discussão em torno da sustentabilidade da
produção agrícola seja mais científica e mensurável”, rassalta o
vice-presidente sênior da Unidade de Proteção de Cultivos da BASF para
América Latina, Eduardo Leduc.
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