Socioeducandas encerram estágio e têm trabalho reconhecido pela direção do ISE
Após encerrarem o curso de Auxiliar Administrativo, socioeducandas estagiaram em órgãos públicos (Foto: Brenna Amâncio/ISE)
Com a experiência, as adolescentes aprenderam a forma correta de se comportar no ambiente de trabalho, qual postura adotar, noções de atendimento ao cliente, como organizar um documento, conhecimentos sobre o INSS, carteira assinada, ofícios, cadernetas, dentre outros conteúdos competentes a função do auxiliar administrativo.
O presidente do ISE, Henrique Corinto, avaliou a passagem das jovens pela instituição. De acordo com ele, todas foram dedicadas e competentes. O gestor afirma que isso lhe dará sustento para projetos futuros que envolvam profissionalização de adolescentes privados de liberdade. “Foi uma experiência positiva. No período em que estiveram conosco, as meninas mostraram serviço e qualidade. Além da ajudar a nossa equipe no setor administrativo, elas também puderam mostrar que são capazes”, comemora.
O estágio foi motivo de orgulho para a socioeducanda Maria Beatriz (nome fictício), 17, que aproveitou os dias de serviço como uma ponte para melhores oportunidades. “Fui muito esforçada e tenho certeza que na próxima chance irão se lembrar de mim. Fiquei surpresa e feliz com o modo das pessoas me tratarem. Foram legais e pacientes. E o estágio serviu também para aumentar a nossa autoestima. Lá dentro da unidade, às vezes acabamos ficando depressivas. Atividades assim são como uma terapia pra gente”.
Maria Beatriz revelou que apesar de todo o esforço dedicado ao cargo de auxiliar administrativa, o grande sonho dela é ser médica. Ela conta que o sonho surgiu quando ainda era criança. A vontade de ajudar as pessoas foi sempre muito forte e já chegou até a perder um familiar por falta de atendimento médico. “Estou recebendo a ajuda de muitas pessoas lá dentro da unidade e o incentivo é sempre o mesmo: estudar. Aproveito o meu tempo livre para fazer isso. Sei que não vai ser fácil, mas eu vou conseguir”.
A adolescente Marcela (nome fictício), 15, também aprovou o período de estágio. Segundo ela, antes de ser internada, era uma jovem desinteressada com os estudos e sem propósito na vida. Perder o direito à liberdade lhe fez acordar, relata. Dentro do Centro Socioeducativo Mocinha Magalhães precisou ser assídua nas aulas e agarrar as oportunidades de profissionalização.
“Eu não era estudiosa e muito menos dedicada. Vir parar nas medidas socioeducativas foi um baque para mim, mas acabei percebendo que eu poderia aproveitar esse tempo internada para organizar a minha vida. Atualmente eu não falto aula e dei o melhor de mim nesse estágio. Estou contente com as minhas conquistas”, garante.
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