Odebrecht TransPort prevê crescer 20% no ano com novos ativos
Valor Econômico -
Criada há três anos, a companhia do
grupo Odebrecht voltada a concessões espera que 2013 já seja um ano de
consolidação. O crescimento projetado para a TransPort é de até 20% no
faturamento sobre 2012, cuja receita está estimada em cerca de R$ 1,5
bilhão. Além de estimar uma expansão dos números levando em conta apenas
os negócios atuais, a empresa conta com o início de operação de mais
quatro ativos - entre eles, a Embraport, terminal de cargas no litoral
paulista.
Com
capacidade para movimentar 2 milhões de TEUs (unidade padrão de
contêiner) ao ano, a Embraport registrará um faturamento de R$ 700
milhões em 2015. Além desse ativo, começa neste ano a operação (e a
arrecadação de receitas) da rodovia Rota dos Coqueiros (no Nordeste), do
etanolduto Logum (em março ou abril) e da empresa de pagamento
eletrônico de pedágio ConectCar.
As
receitas das novas empresas começam de forma tímida, mas contribuem
para o balanço da TransPort, diz o presidente da companhia, Paulo
Cesena, em entrevista ao 'Valor PRO'. Os investimentos também se mantêm
em alta e somarão R$ 2,5 bilhões neste ano, considerando a carteira
atual - que inclui negócios em rodovias, logística e mobilidade urbana.
Em
projetos futuros, a empresa acompanha de perto o programa de concessões
do governo federal deste ano. Cesena diz que há interesse em todo o
programa de licitações de rodovias, que destinará ao todo nove lotes à
iniciativa privada, sendo duas delas com leilão marcado para a próxima
semana. Mas os números elaborados pelo governo para as BRs 040 e 116 são
antigos e, por isso, a companhia estará mais voltada às sete estradas
que serão licitadas no meio do ano, que contam com estudos mais
atualizados. "Por enquanto, estamos sozinhos fazendo as análises e ainda
não há previsão de se juntar a parceiros".
Em
aeroportos, a companhia aprofundou os estudos nos terminais de Galeão
(Rio de Janeiro) e Confins (Minas Gerais), cujas concessões já foram
anunciadas pelo governo em dezembro e demandarão R$ 11,4 bilhões de
investimentos ao longo da duração dos contratos. Cesena informa que as
análises sobre os dois empreendimentos estão sendo feitas só pela
companhia e que a operadora asiática Changi, sócia da Odebrecht no
último leilão do setor, não tomou uma decisão sobre a participação.
A
TransPort também tem interesse em terminais portuários, ferrovias e
ainda analisa o projeto do trem de alta velocidade (TAV). Para o
executivo, as relações entre empresas e governo têm de ser transparentes
para que os investimentos possam deslanchar. "Esses projetos todos que
estão sendo discutidos demandam muitos estudos, e de forma detalhada.
Eles só serão feitos de forma qualificada se houver um ambiente de
confiança entre os técnicos governamentais e a iniciativa privada para
troca de informações", afirma.
A
empresa se mantém otimista em relação aos indicadores macroeconômicos
do ano. "Estamos alinhados com as expectativas de mercado, trabalhando
com crescimento de 3% a 4% [do PIB em 2013]. A Odebrecht TransPort vive
do transporte de passageiros, veículos e cargas, então a atividade
econômica impacta diretamente", afirma.
Quanto
à busca de capital no mercado, Cesena diz que os investidores
atualmente se mostram disponíveis para os projetos de infraestrutura e
que não há entraves, em seus negócios, relacionados a interferências do
governo. "Nesse momento, não há esse problema", afirma.
O
executivo defende, no entanto, que, como há uma preferência natural de
as empresas do setor buscarem o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), seria preciso uma mudança na modelagem
econômico-financeira dos projetos do governo. Segundo ele, o cálculo do
governo para a taxa de retorno de cada empreendimento leva em
consideração, em muitos casos, que todo o financiamento seja feito com
base nas taxas do BNDES - que são menores. "Acho que seria muito
positivo se o governo considerasse também a precificação de outras
fontes de financiamento. Ao fazer isso, você estimula um mercado de
debêntures no Brasil".
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