Eike tenta atrair parceria com Petrobras
Folha de São Paulo -
Depois de um ano difícil, em que
viu sua fortuna encolher, o dono do grupo EBX, o empresário Eike
Batista, busca apoio do governo para firmar uma aliança com a Petrobras e
desenvolver um dos seus principais projetos: o Porto do Açu.
Segundo
a 'Folha' apurou, Eike esteve em Brasília na semana passada com a
presidente da República justamente para tentar a bênção de Dilma para um
investimento da estatal no empreendimento.
Na
quinta-feira (24), o empresário levou o ex-presidente Lula para
conhecer o projeto, em São João da Barra (região norte do RJ).
Eike
vem tentando se aproximar da Petrobras desde meados do ano passado.
Como encontrou pouca receptividade em Graça Foster, presidente da
estatal, decidiu concentrar esforços em Brasília.
De
acordo com empresários cariocas, a intenção de se aproximar da estatal
teria motivado Eike a contratar o presidente da Federação das Indústrias
do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio de Gouvêa Vieira,
como vice-presidente da EBX. Com origem no setor de petróleo e bom
trânsito nos meios oficiais, Gouvêa Vieira teria papel importante nessa
articulação.
Integrantes
do Executivo em Brasília veem a negociação com a Petrobras com bons
olhos. Alguns até defendem que se substitua investimentos no Porto do
Rio, público, por negócios com Eike.
A
'Folha' apurou que a avaliação da Petrobras é que Açu poderia ser usado
apenas como base de apoio para escoar a grande produção do pré-sal da
bacia de Santos, mas isso não invalidaria investimentos no Porto do Rio.
Nas
conversas da semana passada no Planalto, foi dito que a entrada da
Petrobras em Açu poderia se dar por arrendamento de área ou por uma
sociedade efetiva.
Ferrovia
Segundo
apuração da 'Folha', Eike também foi buscar em Brasília uma solução
para acelerar a ferrovia que dará acesso ao empreendimento, crucial para
a operação.
A
falta de infraestrutura ligando o porto ao mercado consumidor foi
apontada pela siderúrgica estatal chinesa Wisco como motivo para
desistir de se instalar em Açu.
Nas
palavras de um assessor, Dilma Rousseff aprecia o que chama de
"instinto animal" de Eike, um dos mais próximos hoje do Executivo.
Entretanto, a bênção ainda não foi concedida: deu-se apenas um "OK" para
o início das negociações.
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