Resposta humanitária é insuficiente para atender necessidade da população deslocada
24 de outubro de 2013 - Com a intensificação dos
confrontos em Irumu do Sul, na província de Orientale, desde o dia 21 de
outubro, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras
(MSF) pede que todas as partes envolvidas no conflito respeitem a
população civil e a integridade das instalações médicas. A organização
médica reporta, também, que o nível de ajuda humanitária é insuficiente
para atender às mais urgentes necessidades das pessoas deslocadas e pede
que recursos adicionais sejam alocados para atender a demanda local.
Desde 23 de agosto, as forças do governo (FARDC) e a Frente pela
Resistência Patriótica da milícia Ituri (FRPI) têm disputado o controle
do território. A situação afeta diretamente a população. Mais de 100 mil
pessoas foram forçadas a deixar suas casas e estão vivendo em meio ao
medo de tiroteios e roubos sistemáticos. “A população foi simplesmente
abandonada”, afirmou Fred Meylan, coordenador de emergência de MSF em
Geti.
Em setembro, confrontos intensos tomaram o centro médico do estado de
Geti, que recebe suporte de MSF, ocasionando a morte de um enfermeiro do
Ministério da Saúde. Três pacientes hospitalizados também ficaram
feridos. A maioria dos estabelecimentos médicos da região foram
saqueados e destruídos nas últimas semanas.
“A situação é inaceitável”, diz Fred. “Até o momento, fomos capazes de
manter os serviços de emergência e tratar os feridos, mas as partes
envolvidas no conflito precisam respeitar a integridade das instalações
de cuidados de saúde.” A organização médico-humanitária planejava
conduzir uma campanha de vacinação contra o sarampo, mas teve de
postergar as atividades e reduzir suas equipes após os embates que
aconteceram próximo de sua base em Geti.
Desde que a crise teve início, MSF realizou mais de 17 mil consultas
médicas em Geti e Munobi, conduziu 43 operações em pacientes feridos e
17 cesáreas, além de ter admitido 165 pessoas pacientes para tratamento
de emergência e cuidados intensivos. Além da assistência médica provida
em Geti, as equipes de MSF estão tratando e distribuindo mais de 100 mil
litros de água por dia para suprir as populações deslocadas que estão
vivendo em abrigos improvisados sem água potável. A organização também
construiu mais de 350 latrinas para prevenir o risco de epidemias
associadas às terríveis condições sanitárias.
A resposta humanitária permanece amplamente inadequada, principalmente
nas regiões estáveis próximas de Lagabo, Soke, Songolo e Malo, onde as
primeiras pessoas deslocadas começaram a chegar no final de agosto,
tendo deixado tudo – casas, pertences, campos e plantações – para trás.
“Eles estão batalhando todos os dias para suprir suas necessidades mais
básicas”, afirma Fred. “Hoje, a maioria deles não têm mais acesso a
cuidados de saúde. Isso é particularmente preocupante, à medida que
parte da região tem vivenciado uma epidemia de sarampo há diversos
meses.”
“A assistência humanitária precisa ser fortalecida nas regiões que não
foram afetadas pelos confrontos”, adiciona. “A história se repete. Mais
uma vez, os civis são os primeiros a sofrer com a violência.”
MSF atua em Geti desde 2006, quando levou assistência às pessoas que
haviam fugido do confronto entre soldados e milícias. A organização tem
mantido presença constante ali desde 2008 prestando suporte a centros
de saúde e ao hospital geral de referência de Geti, trabalhando em
parceria com autoridades de saúde.
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