Medidas rigorosas no controle das fronteiras levam à utilização de rotas alternativas perigosas
© Mattia Insolera
“Os membros da UE não podem mais ignorar os custos humanos de suas
políticas”, afirma Freya Raddi, coordenadora de operações de MSF. “O
recente incidente foi um resultado direto de uma política de imigração
europeia que criminaliza a imigração irregular e insiste em fechar suas
portas para os mais vulneráveis.”
Para MSF, os Estados europeus deveriam concentrar esforços não no
fechamento de suas fronteiras para as populações mais vulneráveis, e,
sim, em sua proteção, por meio da estruturação de operações de resgate
no mar, bem como na melhoria das condições de recepção de imigrantes
recém-chegados.
“Políticas de imigração repressivas e restritivas simplesmente aumentam o
sofrimento das pessoas que escaparam de situações de conflito”, disse
Freya.
O reforço do controle das fronteiras da União Europeia está obrigando os
imigrantes a recorrerem a rotas mais perigosas na tentativa de chegar à
Europa. Incontáveis vidas foram perdidas a apenas alguns quilômetros da
costa italiana, bem como em países transitórios, onde os imigrantes são
submetidos à violência e abusos. Aqueles que sobrevivem à jornada para a
Europa acabam ficando sujeitos às péssimas condições dos centros de
detenção.
“O centro de recepção em Lampedusa está operando com uma capacidade
quatro vezes superior à sua e o número de recém-chegados e a
superlotação não são novidade”, explicou Freya. “Famílias estão dormindo
do lado de fora, em abrigos improvisados feitos com plástico e
colchões. Isso é reflete a falta de preparo das autoridades para lidar
com o influxo de imigrantes, que poderia – e deveria – ter sido
previsto.”
O barco que naufragou na última semana, próximo a Lampedusa, levava
cerca de 500 refugiados, requerentes de asilo e imigrantes. Mais de 300
deles se afogaram. Desde janeiro, cerca de 30 mil pessoas chegaram à
Itália de barco, a partir da Líbia, do Egito e da Síria, fugindo da
violência e do conflito, precisando de proteção internacional.
“Os governos não podem continuar tentando controlar os fluxos
imigratórios em detrimento da proteção de refugiados e dos direitos dos
imigrantes”, afirma Freya. “Eles precisam responder urgentemente às
questões mais abrangentes referentes à proteção dessas pessoas e
oferecer soluções de longo prazo.”
MSF atua na ilha italiana de Lampedusa desde 2002. Atualmente,
equipes da organização também oferecem suporte técnico para o controle
de doenças infecciosas em alguns centros de detenção para imigrantes em
Roma e na Sicília. Em Ragusa, na Sicília, MSF presta suporte às
autoridades de saúde italianas oferecendo consultas médicas aos
imigrantes, requerentes de silo e refugiados em centros de saúde locais.
As equipes de MSF trabalham intensamente para atender o grande influxo
de imigrantes na região de Pozzallo, na Sicília.
No Marrocos, em Malta e na França, equipes de MSF têm oferecido suporte médico e psicológico a imigrantes nos últimos dez anos.
Na Grécia, MSF está atuando no norte do país, oferecendo cuidados
médicos e psicológicos a imigrantes, refugiados e requerentes de asilo
em estações de polícia e centros de detenção na fronteira.
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