País cresceu e não há mais como esconder problemas de infraestrutura, diz Collor
Anderson Vieira
Color: Cerca de 90% da população da Região Norte continua sem rede de esgoto
O senador Fernando Collor (PTB-AL)
abriu, na manhã desta quinta-feira (27), o 1º Fórum Nacional de
Infraestrutura chamando atenção para a necessidade de o país desatar
seus entraves logísticos se quiser de fato crescer economicamente.
Segundo ele, após o período recente de desenvolvimentos de diversos
setores, como agropecuário, industrial e social, os problemas ficaram
ainda mais evidentes.
- Se antes as precárias condições de
nossa infraestrutura eram de certa forma amainadas pela baixa demanda de
serviços em setores como transportes e energia, hoje não há mais como
escondê-las. A ascensão de significativa parcela da população à classe
média descortinou, por exemplo, a necessidade de uma nova estrutura
aeroportuária, assim como os sucessivos recordes da safra agrícola
clamam por um sistema completo de armazenagem e escoamento. Sem
estrada e transporte, a economia não anda; sem energia, ela se apaga;
sem sistema de comunicação eficiente, ela se cala; sem saneamento, ela
adoece - afirmou.
Ao lembrar que o saneamento é outro
problema grave de infraestrutura e que passa despercebido dos governos
por ser considerado um "filho rejeitado das políticas públicas", Collor
sugeriu a criação do Mais Engenheiros, nos moldes do programa Mais
Médicos, lançado recentemente pelo governo federal.
- Sabemos que um dos principais
déficits desse setor está relacionada à precariedade de projetos,
especialmente no âmbito dos municípios, que não têm engenheiros. Talvez
tenhamos que instituir o Mais Engenheiros para suprir as carências de
projetos nos mais longínquos rincões do país, onde o problema é ainda
mais latente - opinou.
Ele lamentou o fato de o Brasil
conseguir universalizar serviços muito mais complexos, como energia e
comunicações e não solucionar a falta de saneamento.
- Cerca de 90% da população do Norte do país continua desassistida e sem rede de esgoto sanitário - afirmou.
Fiscalização
O parlamentar reconheceu que o governo
tem tomado providências para solucionar muitos dos problemas, mas
alertou que a situação é muito mais complexa. Como exemplo, citou os 300
dias necessários para que o Dnit conclua um processo licitatório na
modalidade de concorrência pública.
O senador
não poupou críticas à burocracia e à tecnocracia enraizadas na cultura e
história do país, as quais, segundo ele, fizeram a administração
pública perder o rumo da eficácia.
Collor também criticou os sistemas de
fiscalização, auditoria e controle adotados hoje no país, que sofrem com
a falta de critério e bom senso. Ele citou a paralisação de obras de
grande importância por pequenas questões burocráticas, resultando em
atrasos, prejuízos e interrupções muito mais danosas à população.
- O Brasil carece acima de tudo de bom
senso e de realismo na administração pública, a começar pelos setores de
licenciamento, auditoria e fiscalização. Hoje viramos reféns da
auditocracia, da controlocracia e da licenciocracia. Todas adeptas da
letra fria da lei e com peculiaridades, como a estreiteza de horizontes e
a insensibilidade perante as reais necessidades do país - disse.
Comissão
O senador aproveitou para falar sobre
as atividades da Comissão de Infraestrutura, que tem realizado uma média
de 30 audiências públicas por ano, além de simpósios, ciclos de debates
e painéis, com a participação de autoridades, especialistas e também do
público em geral, por meio dos meios de comunicação do Senado. Na
opinião dele, a comissão vem cumprindo o papel do Parlamento: debater tecnicamente e mostrar politicamente os rumos para a melhoria do país.
Para
Collor, no entanto, o momento de diagnóstico já passou e é hora de
partir para a prática, daí a importância deste seminário, que deve
resultar em propostas claras e pragmáticas.
O 1º Fórum
Nacional de Infraestrutura prossegue à tarde, com mesas redondas sobre
grandes temas relacionados ao setor, como energia elétrica e transporte
de passageiros.
Os
trabalhos vão ocupar os plenários das comissões do Senado até a tarde de
sexta. Os internautas poderão participar dos debates por meio de links
na página do fórum.
Agência Senado
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