Embaixador da Ucrânia pede ao Brasil para não ficar 'em cima do muro' em relação à Crimeia
Marcos Magalhães
Na CRE, Tronenko citou países da América Latina que se declararam contra separação da Crimeia
O embaixador da Ucrânia, Rostyslav
Tronenko, pediu nesta quinta-feira (27) ao governo brasileiro para não
ficar “em cima do muro” em relação à invasão da Crimeia, até então parte
integrante do território ucraniano, por tropas russas, e sua posterior
anexação à Federação Russa. Em depoimento à Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional (CRE), ele recordou que outros países da
América Latina – como Argentina, México, Panamá e Costa Rica – já se
manifestaram pela integridade territorial da Ucrânia.
- O mundo e o Brasil devem ajudar a
Ucrânia a enfrentar essa agressão flagrante. Pedimos que não fiquem em
silêncio. A Ucrânia está pronta para dialogar e envolver negociadores
internacionais, somos um povo de paz. Mas nunca vamos ceder e
comprometer a nossa soberania. Ninguém está pedindo ao Brasil para
comprar uma briga por causa da Ucrânia, mas não queremos que nosso
parceiro estratégico fique em cima do muro, um país que pretende ocupar
um lugar no Conselho de Segurança da ONU – afirmou em português
Tronenko, que é casado com uma brasileira.
Ao responder a uma pergunta do senador
Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da CRE, sobre a legalidade do
plebiscito que mostrou a maioria da população da Crimeia a favor da
anexação da península à Federação Russa, o embaixador afirmou que o
plebiscito foi “inconstitucional à luz do Direito ucraniano e do Direito
Internacional” e foi realizado sem a presença de observadores da
Organização das Nações Unidas (ONU).
- Como província da Ucrânia, apenas
nosso Parlamento poderia propor o plebiscito. A pergunta deveria ser se
querem ou não se tornar independentes da Ucrânia. Caso a resposta fosse
positiva, uma vez independente, a Crimeia poderia buscar sua anexação à
Rússia em novo plebiscito. Estariam assim cumpridas as formalidades
legais – observou Tronenko.
Durante o debate, o senador Eduardo
Suplicy (PT-SP) questionou se o resultado do plebiscito teria sido
diferente se realizado em “condições adequadas”. Por sua vez, a senadora
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) disse não saber onde o Direito
Internacional teria sido ferido, como havia enfatizado o embaixador.
- Se o Direito preza pela soberania
territorial, também preza pela autodeterminação dos povos. E a história
da Crimeia se entrelaça com a da Rússia – afirmou Vanessa, que relatou
ter estado em Moscou no momento da invasão da Crimeia e ter percebido
uma “grande unanimidade” na sociedade russa a favor da operação.
Já o senador Cyro Miranda (PSDB-GO)
disse ter sentido a impressão de que a população teria sido coagida no
plebiscito na Crimeia. Ele concordou com o embaixador a respeito da
necessidade de o Brasil tomar uma posição mais clara a respeito do tema.
- O que mais se tem de respeitar é a
soberania. O Brasil precisa sair de cima do muro, sim. Ou é parceiro ou
não é. Ficar em cima do muro não contribui com nada – alertou Cyro.
Agência Senado
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