Após embate na MP dos Portos, bancada do PMDB quer reduzir tensão com governo
Reuters -
Depois de enfrentar o governo
durante a votação da Medida Provisória dos Portos, a bancada do PMDB se
reúne nesta terça-feira e a tendência é que os deputados trabalhem para a
redução da tensão com o Palácio do Planalto, sem deixar, porém, de
cobrar um melhoria no relacionamento.
Deputados
ouvidos pela Reuters avaliam que a atuação do líder da bancada, Eduardo
Cunha (RJ), foi "muito boa" porque uniu os descontentes do partido, mas
dizem que agora é hora de acalmar os ânimos, porque o recado ao governo
já foi dado.
A
MP dos Portos foi aprovada na Câmara depois de longas sessões que
vararam a madrugada e com ampla resistência do PMDB em vários pontos do
texto.
Apesar
disso, o governo conseguiu aprovar o novo marco regulatório do setor
portuário a poucas horas da perda da validade da medida provisória.
Durante
a tramitação e mesmo depois, Cunha e integrantes do governo trocaram
acusações. O líder peemedebista foi apontado como arquirrival nas
votações do plenário da Câmara, e ele dizia que as dificuldades na MP
dos Portos eram decorrentes da falta de articulação política do Palácio
do Planalto.
O
deputado Danilo Forte (PMDB-CE), que no ano passado liderou um
movimento de descontentes da bancada e chegou a divulgar um manifesto
contra o tratamento que os parlamentares recebiam do governo, disse que a
MP dos Portos deixou "cicatrizes" na relação, e que tanto o Executivo
como o PMDB tiraram ensinamentos do episódio.
"O
PMDB aprendeu que precisa ceder no momento certo e que tem que ter
unidade na bancada e ir à exaustão no debate", afirmou à Reuters.
Já
o governo, na avaliação de Forte, "não vai mais ser tão arrogante"
depois da MP dos Portos e percebeu que "é preciso mudar a relação com os
aliados".
"Nada do que foi será do jeito de que já foi um dia", disse o deputado parafraseando uma música do cantor Lulu Santos.
O
deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), que também já chegou a pedir
formalmente ao então líder da bancada e atual presidente da Câmara,
Henrique Eduardo Alves (RN), que o partido adotasse uma postura mais
independente no ano passado, diz que a votação da semana passada foi
"uma batalha", mas os peemedebistas não devem ter uma relação de
"guerra" com o Palácio do Planalto.
Segundo
ele, o problema da relação do governo com o PMDB e os aliados é antigo,
mas chegou num "clímax" durante a votação da MP dos Portos.
"A
insatisfação (com o governo) passa todo o PMDB, menos para alguns que
estão no cume da cúpula do partido", disse Castro. Ele também critica a
postura dessa cúpula que não atende os interesses da bancada.
"Estamos nos sentindo órfãos", reclamou.
Apesar
das reclamações ele deve defender na reunião da bancada que seja
restabelecido o diálogo com o governo depois da aprovação da MP dos
Portos, porque avalia que não tem sentido continuar brigando com o
Palácio do Planalto tão perto do período eleitoral.
Há
duas semanas, a presidente Dilma Rousseff disse ao vice-presidente
Michel Temer que mudaria sua relação com os aliados a fim de se
aproximar mais do Congresso e evitar que a insatisfação contaminasse seu
projeto de reeleição no ano que vem.
Comentários
Postar um comentário