Denúncia questiona qualidade do serviço de transporte público em Fortaleza

No último dia 16 de março, a senhora Matilde Pimentel, de 62 anos, juntamente com sua filha Jocasta Pimentel, estudante, foram testemunhas de cenas que, infelizmente, acontecem nos ônibus que fazem o transporte público de Fortaleza. O episódio aconteceu no ônibus que faz a linha Antônio Bezerra Messejana (Empresa Vega), de número 35912, quando – sem deixar todos os passageiros subirem – o motorista deu partida, fechando as portas, e prendendo parte da perna da senhora Matilde.
Ao longo do percurso, segundo relata em sua denúncia, a estudante Jocasta Pimentel presenciou, ainda, outros abusos do motorista, como desembarcar passageiros em pontos que não são paradas de ônibus. Se preparando para descer do veículo, ela pergunta o nome do motorista e diz que como usuária está insatisfeita com o serviço prestado. Grosseiramente, ele aponta para o número do veículo, já previamente anotado pela usuária.
Quando desembarca com sua mãe, Jocasta ouve o motorista dizer: “Olha meu nome é Gabriel e se quiser pode ir na polícia me denunciar, sua sem vergonha”. Indignada com o ocorrido, a estudante liga para o telefone indicado na parada de ônibus, o 08002801510, e uma mensagem diz que “o número discado não corresponde a um serviço ativo”.
Jocasta liga, então, para a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza, e na Ouvidoria formula a denúncia. A atendente, de nome Socorro, afirma que a denúncia será devidamente encaminhada à empresa.
Fiscalização
A denúncia questiona também a fiscalização feita pela Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza sobre denúncias como estas.
Em dezembro de 2009, a AnotE denunciou o caso do garoto Yan Douglas, de nove anos. Yan é cadeirante e precisa utilizar o ônibus adaptado para fazer suas sessões de fisioterapia. O caso aconteceu também com uma linha de ônibus da empresa Vega, a Planalto das Goiabeiras (linha 110). Na denúncia, Péricles Davy, tio de Yan, informava que o ônibus adaptado não parava para levar o garoto que, por muitas vezes, teve que perder as sessões na Associação Beneficente Cearense de Reabilitação (ABCR).
Denúncia feita e prontuário devidamente preenchido junto à Etufor, e passados mais de três meses a situação continua a mesma. “O Yan continua indo às sessões, às vezes vai de carro particular ou de topic. Não notamos nenhuma diferença, não”, afirmou Péricles.
Etufor
A AnotE levou as duas denúncias para a Etufor, que através da assessoria de comunicação, enviou sua resposta institucional.
Sobre acessibilidade: “A Etufor tem orientado às empresas de ônibus que repassem informações aos motoristas acerca dos seus deveres, que, dentre eles, destaca-se o deslocamento seguro de pessoas com deficiência. Caso esse direito não esteja sendo respeitado, pedimos aos usuários insatisfeitos que precisem dados importantes como nome da linha, número do ônibus, data e horário para que possamos verificar a empresa e repassar a reclamação. Em seguida, a empresa notifica o operador”.
Sobre a denúncia atual: “A Etufor já encaminhou a denúncia à empresa Vega, identificada através dos dados precisados pela usuária, para que tome as providências necessárias e notifique o operador. O tipo de punição será definido pela empresa já que esta é uma relação entre patrão e empregado”.
Veja a matéria “Acessibilidade não é prioridade em Fortaleza”, sobre o caso Yan, no link: www.anote.org.br/novosite/manchete.asp?cod=326&busca=Yan%20Douglas
Leia abaixo, a denúncia formulada pela estudante Jocasta Pimentel:
Denúncia: Qualidade do transporte público em Fortaleza é péssima
Ao pegar o ônibus da linha Antônio Bezerra Messejana de número 35 912 fui surpreendida com a má qualidade do serviço. Na parada de ônibus da Av. Aguanambi, próxima ao cruzamento com a Av. Antônio Sales cinco usuários do transporte público subiram no veículo era aproximadamente 14:40 desta terça-feira, dia 16 de março, quando o motorista não esperou todos  entrarem, e arrancou com o carro, sendo que a senhora Matilde Pimentel de 62 anos (minha mãe), quase caiu das escadas e teve o seu pé preso pela porta traseira do ônibus. Passado susto presenciei mais outras irregularidades, já na Av. Domingos Olímpio o motorista abre a porta para o desembarque de passageiro em local inadequado, onde não é parada, a cena se repete na Av. Duque de Caxias esquina com a Rua 24 de Maio, ele novamente abre a porta para os passageiros descerem. Ao aproximar-se do meu destino (ponto de ônibus que fica na Duque de Caxias), eu aproximo-me do motorista, que estava visivelmente sem o crachá de identificação e pergunto: “Qual o nome do senhor?” A resposta dele vem em tom de grosseria: “Porque você quer meu nome?” Eu explico: “Você é um prestador de serviço e eu como usuária estou insatisfeita” ele diz apontando para uma placa na parte superior do veículo: “Está aí o número, pode denunciar” Eu agradeço e ao descer as escadas do veículo escuto o motorista me dizer: “Olha meu nome é Gabriel e se quiser pode ir na polícia me denunciar, sua sem vergonha”. Me senti humilhada nesse momento, além de estar utilizando um transporte público de baixa qualidade, que não oferece por muitas vezes o mínimo de dignidade ao usuário fui lesada moralmente pelo senhor que naquele momento dirigia o ônibus. Até quando nós que pagamos caro por um serviço de transporte teremos que vivenciar situações como estas?
Onde está a fiscalização?
Logo que cheguei à minha residência, liguei para o número que tinha disponível na placa indicativa da parada de ônibus (08002801510) e uma mensagem diz que o número discado não corresponde a um serviço ativo. Contudo, não desisto e ligo para o serviço de auxílio a lista telefônica pedindo o número da ouvidoria da Etufor (3452 9292). Quem me atende neste número é a Socorro, que escuta a minha denúncia e afirma que será encaminhada e a empresa responsável pelo ônibus ficará sabendo do ocorrido. Não sei se realmente o motorista que dirigia de forma imprudente o ônibus 35 912 será chamado para responder por sua atitude, mas é certo que não podemos ficar calados diante de um serviço que deveria funcionar bem e não funciona, precisamos denunciar para garantir a qualidade daquilo que pagamos.


CONTATO: AnotE (85) 3388 8705

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