| | Brasília
- O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro
Filho, abriu o Fórum de Debates de Política Agrícola que discutiu a
situação atual e as perspectivas para a agricultura brasileira. O evento
reuniu técnicos do ministério, da Embrapa e da Conab, empresas
vinculadas, nesta segunda-feira, 30 de julho, em Brasília. Mendes
Ribeiro Filho destacou a importância do Fórum para a construção de
políticas para o setor. “Estamos iniciando um trabalho que permitirá um
debate mais profundo sobre o setor, de acordo com a necessidade”, disse.
O
palestrante, consultor e analista de mercado André Pessoa, falou sobre
as expectativas e o comportamento do mercado, especialmente com relação à
produção de milho e soja. Ele fez um breve relato do comportamento do
mercado americano em relação às duas culturas e os reflexos para a
economia mundial e brasileira, especificamente. Durante a exposição,
Pessoa chamou atenção para a forte seca que castiga os Estados Unidos,
uma das piores desde 1956, e dos reflexos disso, especialmente nos
preços do milho. A produção estimada do produto de 376 milhões de
toneladas para essa safra foi rebaixada para 300 milhões de toneladas,
podendo cair ainda mais, segundo ele.
O impacto disso no mercado
brasileiro será a compra de milho pelos americanos. Com os preços
elevados, o mercado se torna atraente para os produtores, pelo menos
neste cenário e não está afastada a possibilidade de o Brasil se tornar
grande exportador do produto, junto com a soja. “Mesmo com as
exportações em alta, não teremos problema de abastecimento de milho à
vista. Nosso país vive uma situação privilegiada pela elevada estocagem
que dispõe do produto”, ressaltou. Na avaliação do consultor, os preços
serão os vilões do mercado mundial e o Brasil terá de trabalhar
estratégias de gestão para escoar os estoques, concentrados na maioria
no Centro-Oeste, para as demais regiões do País, especialmente o Sul, a
preços competitivos.
A situação da soja também é promissora com
estimativas positivas de produção de 66,37 milhões de toneladas (t) na
atual safra. No longo prazo, os prognósticos também são bons com
projeções de produção de 120 milhões de toneladas em 2021/22 para a soja
e 100 milhões de t para o milho. Para chegar a esses patamares, no
entanto, Pessoa chamou atenção para a necessidade de trabalho conjunto
entre governo e iniciativa privada. “Precisaremos trabalhar muito para
chegar nesses níveis. O conjunto do agronegócio terá um grande desafio
pela frente”, disse.
O Fórum foi uma iniciativa da Secretaria de
Política Agrícola (SPA) do ministério e até o final deste ano ocorrerão
outros dois encontros, em setembro e novembro. Segundo o secretário da
SPA, Caio Rocha, são voltados à área técnica que é quem constrói as
políticas agrícolas brasileiras. |
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