No luxuoso prédio onde está localizado o escritório da Laticínios Bom Gosto em Porto Alegre, Wilson Zanatta, presidente do grupo, recebeu a reportagem de AMANHÃ na quinta-feira passada. Saindo de uma reunião com executivos de um grande banco, Zanatta brincou com o excelente momento vivido pela empresa - fundada por ele 16 anos atrás, com a esposa e quatro funcionários: "Agora, somos a moça bonita do baile, todo mundo quer dançar conosco".




O bom-humor de Zanatta não é desmedido: a Bom Gosto é hoje, segundo ele, a maior processadora de leite longa vida do Brasil. A previsão é de encerrar 2009 com a captação de 1,229 bilhão de litros e 13,7% de participação no mercado produtor. Estes números passam diretamente pela fusão com a Líder Alimentos, que foi acertada em novembro do ano passado. O negócio dará ainda mais vigor à Bom Gosto, que ostenta uma média de crescimento anual de 86% entre 2000 e 2007. "Naquele momento [em novembro de 2008], em meio à crise mundial, pensávamos que o ano encerraria com nada de novo, mas foi justamente aí que o BNDESPar sugeriu a fusão", explica Zanatta. O braço de investimentos do banco de fomento estatal detinha 25% da Bom Gosto desde 2007. Com a fusão, a participação aumentou para 35%. Segundo o presidente do grupo, a sociedade hoje está dividida igualmente, com um terço para cada sócio: Bom Gosto - cujo nome acabou prevalecendo -, Líder e BNDESPar.



Somados os faturamentos de Bom Gosto e Líder em 2008, o valor chega a R$ 1,3 bilhão. A estimativa de Zanatta para o fim de 2009 é bater na casa do R$ 1,7 bilhão. Para crescer estes cerca de 30%, a empresa conta com os resultados de duas aquisições recentes: a planta da Nestlé em Barra Mansa (RJ), por R$ 29 milhões, e a operação da Parmalat em Garanhuns (PE), por R$ 31 milhões. Por enquanto, o grupo contabiliza 20 unidades industriais no Brasil, mas o número não vai parar por aí. Apesar de vir num ritmo acelerado de aquisições, Zanatta diz que a intenção agora é crescer organicamente.



Mesmo que não desembolse com aquisições, a Bom Gosto já encontrou destino para no mínimo R$ 100 milhões. Os recursos irão para novas instalações. A empresa já bateu o martelo para a construção de uma planta em San Jose, no Uruguai - que será destinada especialmente à exportação - e de outra na região metropolitana de São Paulo. "Essa informação é tão nova que ainda nem definimos qual cidade será escolhida", revela Zanatta. Para o Uruguai, está estipulado um investimento de aproximadamente R$ 60 milhões - os outros R$ 40 milhões irão para São Paulo.



Baseado nestes investimentos, e outros que provavelmente estão a caminho, o presidente da Bom Gosto pretende alçar a companhia aos R$ 3 bilhões de faturamento em 2012. Até lá, é bem possível que a empresa já tenha aberto seu capital na Bovespa. "Os bancos querem o nosso IPO. A gente pensa em 2011, eles querem antes, mas não temos pressa", despista.



Principal responsável por transformar uma pequena processadora de leite de Tapejara em potência nacional, Zanatta se diz orgulhoso por gerar mais de 3 mil empregos diretos. "Essa é a função do empresário", destaca. Humilde, o presidente da Bom Gosto rememora a trajetória de sucesso da empresa e diz que passou por momentos de dificuldade. "Diziam que, para eu crescer, tinha de fazer algo diferente, mas eu notava que muita gente ficava nisso a vida inteira. Não eram histórias de sucesso, que me encantavam. Foi aí que resolvi ir para a commodity, procurando economia de escala. Se tivesse ficado fazendo queijinho, seria mais um pequeno a ser atropelado."



Em 2006, quando a empresa faturou R$ 214 milhões, Zanatta percebeu que seria praticamente impossível continuar crescendo sozinho. "Fui para São Paulo, Rio de Janeiro, procurar parceiros e investidores", explica. Foi aí que houve o aporte do BNDESPar e a consequente aquisição das empresas Damatta e Nutrilat. No ano seguinte, a Bom Gosto mais que dobrou sua receita: R$ 552 milhões. "Fomos o primeiro laticínio brasileiro a ter participação do BNDESPar, que é extremamente exigente. Precisávamos daquele investimento para fazer algo do tipo ‘consertar a turbina com o avião andando'. A equipe aumentava diariamente", conta um sorridente Zanatta, preparando-se para mais uma de suas incontáveis reuniões.

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