quinta-feira, 2 de julho de 2015

Segundo empresário, Petrobras comprou companhia por valor muito acima do mercado


O empresário Auro Gorentzvaig, ex-sócio da Petroquímica Triunfo, afirmou, em depoimento à CPI da Petrobras, que a estatal comprou a empresa Suzano Petroquímica por R$ 4,1 bilhões, sendo que a companhia, segundo ele, valia a metade.
Ao responder pergunta do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), um dos sub-relatores da CPI, o empresário disse que a Quattor (junção das petroquímicas Suzano e Unipar) valia R$ 2,56 bilhões, conforme avaliação feita pelo Bradesco.
De acordo com o depoente, depois da compra, a Petrobras vendeu a Quattor para a Braskem por R$ 2,5 bilhões.
“Então, a Petrobras adquiriu uma empresa por mais de R$ 4 bilhões e, meses depois, repassou à Braskem por R$ 2,5 bilhões”, perguntou o deputado. “Foi isso que aconteceu e eu tenho como provar”, confirmou o empresário.
Lula
Segundo Gorentzvaig, houve uma ação deliberada do governo, na época, para beneficiar a Odebrecht, controladora da Braskem, e formar um monopólio no setor petroquímico do País.
Ele acusa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de participação ativa no processo. O empresário relatou uma reunião que teve com Lula, em 2009, no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília – encontro que teria ocorrido por intermédio do petista Luiz Marinho, atual prefeito de São Bernardo do Campo. Também teria participado o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.
A reunião, conforme Gorentzvaig, teria ocorrido em meio à disputa acionista entre a Petrobras e a Triunfo pelo controle da Quattor – repassada depois para a Braskem por meio de uma operação de incorporação acionária.
Ele acusa também a então presidente do Conselho Administrativo da Petrobras, Dilma Rousseff, e o então presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, de participar da operação que teria beneficiado a Odebrecht.
“O senhor disse à Justiça que Paulo Roberto Costa era o operador do ex-presidente Lula. O senhor confirma isso?”, perguntou o deputado Bruno Covas (PSDB-SP). “Pelo que eu entendo, sim”, respondeu o empresário.
A reunião da CPI da Petrobras prossegue no plenário 2.

Reportagem – Antonio Vital
Edição – Marcelo Oliveira

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