quarta-feira, 1 de julho de 2015

Paraná poderá exportar carne bovina para os Estados Unidos

Pecuária de corte.Foto: Cleverson Beje/FAEP
Os Estados Unidos anunciaram que vão liberar a importação de carne bovina in natura do Brasil. A medida promete pôr fim a uma restrição que durava 15 anos e beneficiar 13 Estados mais o Distrito Federal, incluindo o Paraná. A previsão é que os frigoríficos brasileiros ganhem aval para exportar carne congelada ou fresca a partir de agosto.

A previsão do Ministério da Agricultura e do Abastecimento é que a medida possibilite a exportação de 100 mil toneladas por ano do produto pelo Brasil a partir de 2020. Somente esse ano seriam entre 15 mil e 20 mil toneladas, segundo projeções de mercado.

Até agora, o Brasil só podia enviar carne industrializada para os Estados Unidos, que impunham restrições sanitárias ao gado brasileiro. Com isso, a exportação estava concentrada em carne enlatada, destinada principalmente para produção de comida mexicana.

“Agora, o Brasil poderá exportar carne fresca ou refrigerada, com foco em cortes dianteiros, usados para a produção de hambúrguer, e, portanto, com preços mais elevados”, explica Inácio Afonso Kroetz, diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).

Na sua avaliação, a medida é importante não apenas pelo fato de elevar as exportações para os Estados Unidos, mas também porque esse mercado serve de referência para outros países, como México e Caribe. “Para o Paraná, representa a chance de elevar as exportações para mercados que pagam mais pela carne. Trata-se de um certificado de que a carne brasileira segue padrões sanitários confiáveis”, afirma Kroetz. “Os Estados Unidos são uma grande vitrine. Há um potencial de abertura de novos mercados”, concorda Fábio Peixoto Mezzadri, técnico das áreas de bovinocultura de corte e leite do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).

A medida vale para as 14 unidades da federação que estão livres de febre aftosa, com vacinação. Além do Paraná, estão nessa lista Tocantins, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Sergipe.

INSPEÇÃO - Para que as exportações efetivamente comecem, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) irá avaliar a equivalência dos programas de sanidade do Brasil com os dos EUA, além de um realizar uma auditoria presencial nos sistemas de segurança alimentar do país. Kroetz acredita que essa inspeção comece nas próximas semanas.

O Paraná tem o décimo rebanho em número de cabeças e o nono em produção de carne do País. No ano passado, o Estado produziu 337 mil toneladas, 1,8% acima de 2014. Foram abatidos 1,45 milhão de cabeças, 1,1% de variação na mesma base de comparação.

EXPORTAÇÕES – O Paraná registrou um crescimento de 116% nas exportações de carne bovina desde 2011, passando de 13,5 mil para 29,4 mil toneladas. Nesse ano, no entanto, o ritmo está menor. De janeiro a maio, o Estado exportou 6.542 toneladas, 39% menos do que no mesmo período de 2014, devido à queda na demanda da Rússia. O mercado russo representa 30% das exportações paranaenses do setor. Os outros grandes compradores são Hong Kong, Egito e, em menor escala, Paraguai.

A abertura do mercado nos EUA pode ajudar a compensar a queda nesse ano. “O gado do Paraná tem boa qualidade, com bons cruzamentos e vem investindo em sanidade, o que pode lhe garantir espaço nos EUA. Hoje o Paraná não vende para aquele país”, completa Mezzadri, do Deral. Apesar da queda dos embarques para a Rússia nesse início de ano, a previsão é que as exportações de carne do Paraná fiquem próximas do volume do ano passado, de 29,3 mil toneladas.

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