sábado, 4 de julho de 2015

Ensino de música em Ribeirão

Rita Stella, de Ribeirão Preto
No início de junho, parceria da USP de Ribeirão Preto com a Fundação Pedro Segundo levou aos palcos do Theatro Pedro Segundo 70 jovens músicos para um concerto especial. Ele marcava a abertura oficial de um projeto inovador que deve oferecer condições para jovens de famílias humildes continuarem seus estudos em música, ao mesmo tempo que contribuirá para o sucesso do Curso de Música da USP de Ribeirão Preto.
Essa é a expectativa do chefe do Departamento de Música da USP, o compositor e maestro Rubens Russomano Ricciardi, para quem a parceria cria condições para que “muitos desses jovens que vieram de projetos sociais de base ou de conservatórios e, que por algum motivo, não prosseguiram” possam continuar seus estudos de música na Faculdade.
E, ainda, continua o professor Ricciardi, o Curso de Música da USP se beneficiará, “porque só terá pleno sucesso enquanto projeto de ensino superior se receber alunos que já tenham pelo menos alguns anos de boa musicalidade prévia”.
O projeto é inovador e importante pois, “diferentemente de outras áreas, entre todas as atividades intelectuais do ser humano, a música é aquela que mais pode e deve ser fomentada na mais tenra idade”.
Assim, no início desse mês houve a apresentação coletiva da Orquestra da Academia Livre de Música e Artes (ALMA), ligada à Fundação Pedro Segundo, e dos jovens músicos da USP-Filarmônica, do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto. Essa experiência, única na história de Ribeirão Preto, classifica a região de Ribeirão “como um centro de referência na formação musical”, avalia o maestro, que ressaltou também o programa executado no concerto: “uma fusão de horizontes, contendo tanto música tradicional como contemporânea, tanto músicas de outros países como brasileira. De especial emoção para mim, foi apresentar com alunos do projeto ALMA e da USP as belíssimas canções de Villa-Lobos numa versão sinfônica elaborada pelo meu professor Olivier Toni, que tanto fez pela educação musical em nosso país”.
Outros eventos ocorrerão com o desenrolar da parceria, anuncia o professor Ricciardi, “pois reconhecemos o excelente potencial de integração de nossos projetos” – da ALMA e da Música da USP Ribeirão. Devem realizar conjuntamente masterclasses (aulas abertas em que os alunos de música apresentam suas técnicas para avaliação docente) e workshops didáticos em espaços físicos tanto da ALMA quanto da USP.
ALMA e a relação com a USP
A idealizadora da ALMA é a presidente da Fundação Pedro Segundo, Dulce Neves. Ela criou o projeto para oferecer ensino de excelência em música para alunos que não conseguem acender em suas formações. Segundo Dulce, a parceria com a USP deverá preencher “uma lacuna existente entre a formação de base de muitos projetos sociais e a Universidade”.
Para o professor Ricciardi, a Academia Livre de Música e Artes e o Departamento de Música da FFCLRP-USP se complementam. “Ambas são instituições voltadas ao ensino de música. O Projeto ALMA contempla a formação musical de crianças e jovens e a USP pode complementar os estudos em nível de graduação. Estamos dando início agora à parceria acadêmica que esperamos possa ser consolidada com a realização de projetos conjuntos fecundos a curto e médio prazo, sempre priorizando o ensino da música para as novas gerações”.
Além disso, o projeto conta com a participação direta de alunos e ex-alunos da USP, ministrando aulas de instrumentos. O coordenador pedagógico do ALMA é o professor Lucas Eduardo da Silva Galon, atualmente aluno de doutorado sob orientação do professor Marcos Câmara de Castro do Departamento de Música da FFCLRP. A pedagogia musical do projeto, continua Ricciardi, “reflete a nossa filosofia de trabalho com a plena interação da composição (poíesis) com a performance (práxis) e a teoria musical (theoria)”.
O ALMA e USP de Ribeirão Preto formam um projeto continuado inovador, garante o professor, “já que os demais projetos de educação em música no Brasil atrelados à atividade sinfônica se reduzem à práxis (interpretação-execução). Nossa diferença é agregar ao ensino dos instrumentos e do canto desde início a composição contemporânea e a teoria crítica”.

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